Responda mentalmente, sozinho (a): Você já presenciou na pele um tabu sobre maternidade/paternidade?
Um tabu que se quebrou em mil pedaços, bem diante dos seus olhos, no seu próprio lar? É preciso falar sobre os tabus, sim. E sendo assim, quero mencionar apenas 4 tabus sobre a educação de filhos que pude conhecer recentemente ao assistir uma palestra com os super carismáticos pais Rufus Griscom e Alisa Volkman.
Vamos lá. Sem medo. Sem tabus para falar de tabus, certo?
Primeiro, você não pode falar sobre não ter sentido amor incondicional e imediato após o primeiro contato com o filho recém-nascido. Muito comum esse tabu, quer alertar sobre o fato da sociedade exigir padrões para o amor aos filhos que é extremo, ou você ama ou não ama. E se não ama, você é uma pessoa muito errada!
Na verdade, ao contrário do que é dito e que muitos acreditam, você não irá amar loucamente seu filho assim que o ver, pois o amor é uma construção e evolui com o tempo. O bom de olhar dessa maneira, é que os pais podem se culpar menos e curtir mais seus filhos, percebendo que a medida que o relacionamento vai aumento e os anos passando, o amor cresce. Caso contrário, a pressão pode ser tanta que a cobrança por esse amor que ainda não se sente (como acha que devia), gera culpa, que leva a um bloqueio emocional e isso pode abalar profundamente a relação entre pais e filhos.
Segundo, você não pode falar sobre o quão solitário se sente depois que deu à luz. A mulher é muito suprida no momento da gravidez, cercada por atenção de todos os lados, mas a parir do momento em que dá a luz, a mulher passa a ficar em casa cuidando do filho, o marido precisa trabalhar e por mais que ela tenha a presença do filho, com o passar dos dias e as obrigações cada vez mais presentes, sua vida está transformada e ela repara que as fotos de mães belas e sorridentes com seus filhos, não faz parte da sua realidade. Nesse momento seu cabelo as vezes está feio, a pele sem cuidado, a casa uma bagunça, o bebê chorando e o desespero gritando dentro de si. E o mais difícil, você sente que não pode falar para ninguém, e isso a faz se sentir ainda mais solitária.
Terceiro, você não pode falar sobre ter sofrido aborto espontâneo (segundo pesquisas americanas)
- 15 a 20% de toda a gravidez resultam em aborto espontâneo.
- 74% das mulheres sentem que a culpa foi delas, sentem que falharam em seu papel e por isso temem o julgamento da sociedade.
- 22% disseram que esconderiam de seu cônjuge.
Quarto, você não pode dizer que a sua felicidade diminuiu ao ter um filho. Na verdade a felicidade diminui por conta das preocupações e a vida financeira do casal que sofrerá grandes mudanças diante dessa nova realidade, realidade essa que, provavelmente, irá durar por uns 20 anos no mínimo.
A muita expectativa ditada pela sociedade em torno da maternidade faz com que esses e outros tabus se instalem na vida dos casais, que assumem grandes expectativas e diante da não realização destas, se sentem envergonhados a compartilhar isso com as pessoas a sua volta. Acontece que a grande maioria (para não dizer todos) dos pais passam por dificuldades com relação a educação de seus filhos, e o grande objetivo do casal palestrante, ao falar desses tabus, é conscientizar as pessoas de uma forma mais realista a cerca desse universo, pois é através de uma imagem mais real sobre o que aguarda a maternidade, que os futuros pais poderão partir para essa experiência de uma maneira mais segura e com reais chances de aproveitarem ela. Sem falar que essa visão menos fantasiosa sobre ter filhos, garante uma educação mais saudável e menos traumática para os filhos, inclusive.
Para finalizar, gostaria de mencionar que ser pai e ser mãe é como partir para uma grande viagem à Europa: você está eufórico, faz sua mala imaginando as mais variadas situações e passeios possíveis, basicamente acredita que colocou tudo e parte em rumo a grande aventura, mas tem um detalhe:
- se você fez sua mala com roupas de verão e ao chegar em seu destino descobre que o lugar é super frio (mesmo estando no verão), como será a experiência que você terá dessa viagem? Provavelmente ruim, frustrante, e com certeza, ela não será tão completa como você sonhou ou te disseram que seria.
Com isso em mente, eu espero que entendam que a maternidade é a mesma coisa, quanto mais informações verdadeiras vocês possuírem e quanto mais preparado vocês estiverem, melhor será a experiência. Se precisar de ajuda, peça ajuda. Informação nunca é demais.


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