NÃO, NÃO! NÃO e NÃO!
A pergunta que não quer calar: você, mamãe, papai, avó, avô, titio, titia, educador em geral, sabe a importância do não para a criança? Certamente que a sua resposta é sim! Mas será que está correta? É sempre assim? Em todas as ocasiões, o não é construtivo?
De modo geral, o comum é ver adultos dizendo às crianças, “não faça isso”, “não faça aquilo”, ou “não vai dar certo, desista”, “isso não é para o seu bico”, “você não vai conseguir”. Quantos nãos, não? Dizer não para uma criança: isso muda o mundo. Mas até o não, que é um limitador, precisa de limites também.
A questão é: que tipo de não as crianças estão recebendo? Em que contexto eles aparecem? São todos eles realmente necessários? É claro que uma criança precisa ouvir muitos nãos. Segundo a psicanalista francesa Françoise Dolto, o não é uma forma de colocar resistência à criança. Não uma resistência prejudicial, mas sadia e totalmente necessária para o seu perfeito desenvolvimento. Psicologicamente falando, a criança desde cedo precisa entender que existem desejos diferentes dos seus e que nem sempre os seus prevalecem. É isso que gera resiliência, persistência, humanidade, empatia, ou seja, um indivíduo apto a viver em harmonia com outros indivíduos.
Cada resistência que a criança encara, faz com que ela saia mais fortalecida e pronta para encarar uma próxima evolução em sua vida. Experimente privá-la disso, sob os mais variados pretextos, e você estará criando um ser arrogante, impaciente, sedento, sem amor ao próximo, manipulador e acima de tudo infantil, exatamente pelo fato de não ter evoluído por falta de resistência na infância.
O mais importante é não confundir as coisas, não se viciar e se acomodar a apenas dizer não para os filhos. O 'não positivo' é aquele dito em situações do dia a dia, quando há uma birra, uma malcriação, uma falta de entendimento da criança que não sabe ou não quer entender que se a mamãe comprar o brinquedo X ela não terá dinheiro para comprar o mistura da família, por exemplo. O não também é sadio quando serve para mostrar limites à criança, como hora de dormir, o que pode e não pode comer, barulho em determinado horário, acesso a coisas explicitamente impróprias a sua idade... A lista é longa, mas geralmente não recebe a merecida atenção dos pais e demais cuidadores. O não relacionado ao crescimento moral, ético e saudável da criança, nos dias de hoje são os mais negligenciados pelo mundo adulto.
Agora adivinhem que tipo de não é amplamente disseminado pelos adultos em relação aos pequenos? Todo aquele tipo de não que terá relação direta com a espontaneidade, criatividade, autoestima e autoimagem do ser humano em formação. Por exemplo, quando não deixam a criança brincar e se sujar, explorar novos lugares e pontos de vista dentro da própria casa e em outros lugares, quando não a submetem a uma alimentação saudável e rica em variedades de texturas e sabores, quando dizem não para todas as coisas que ela pega, tenta fazer ou falar. Dizem não quando dão respostas quaisquer a seus questionamentos, negam ela da verdade, a tratam como um ser incapaz de compreender o que se passa ao seu redor ou de conseguir realizar algo sozinha sem que os adultos intervenham totalmente e acabam realizando por ela.
Infelizmente, os mais velhos também dizem não e ferem a autoestima da criança e sua autoimagem, dizendo que fazer determinada coisa é feio, que fulano é mais bonito que ela pois se comporta melhor, que sicrano é mais inteligente porque tira melhores notas ou que jamais ela atingirá determinado sonho, pois sua posição social e até sua capacidade não permite. Enfim, uma extensa lista de castrações negativas. Em outras palavras, os adultos têm permitido tudo aquilo que prejudica o desenvolvimento das crianças e em contra partida, proíbem aquilo que traria plenos benefícios para sua vida e para o bem estar de toda uma sociedade. Com isso, essas crianças se tornam adultos inseguros, presos, manipuláveis e mais suscetíveis a doenças físicas e psicológicas.
É preciso ter cuidado e avaliar cada situação que um não sairá de sua boca, pai/mãe. Nunca deixe que, para sua maior comidade, seu filho saia prejudicado. Não diga não quando ele quiser espalhar os brinquedos pelo chão e desenvolver sua capacidade cerebral. Bagunça é fácil de arrumar. Agora, um problema psicológico enraizado desde a infância, esse sim é bem difícil.


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