Deixe seu filho ir para a escola

Quando colocar o filho na escola, ou creche, com certeza deve ser um tema recorrente na cabeça de muitos pais com filhos pequenos. Não é a intensão desse blog se aventurar a dizer qual idade isso deve acontecer, pois uma decisão tão importante como essa cabe a família decidir. O objetivo desse texto é, tão somente, listar alguns aspectos sobre a importância e cuidados na hora de tomar essa decisão.

Primeiro vale saber que é dever do Estado assegurar à criança de zero a seis anos de idade o atendimento em creche e pré-escola. Esta determinação está prevista na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Não que haja vagas para todas as crianças, mas isso é assunto para outro texto. O que vale é saber que isso é um dever do Estado para conosco e devemos fazer valer nossos direitos.

É de conhecimento de todos os estudiosos, que a primeira infância é o período mais importante para o desenvolvimento de todos os indivíduos e como consequência, é o período crucial para o desenvolvimento de toda a nossa sociedade, tanto do ponto de vista social, econômico, político, quanto no que diz respeito a segurança e desenvolvimento tecnológico, por exemplo.

E como a criança se desenvolve? A partir da relação de apego que ela estabelece com seus cuidadores e dos estímulos a ela oferecida. A relação de apego é a base que permite a criança pequena sentir-se segura o suficiente para receber de maneira positiva os estímulos que virão. Sem estímulo o cérebro dela não se desenvolve de maneira adequada, resultando uma série de problemas futuros, seja de aprendizagem, sociabilidade, emocional, afetivo, entre outros.

Hoje em dia, a maioria das famílias estabelecem uma profunda relação de apego com seus filhos, mas não oferecem estímulos por vários motivos, os mais comuns são, falta de tempo e a falta de conhecimento sobre o que oferecer aos filhos, que muitas vezes ficam a merce dos tablets, televisão e demais eletrônicos que fazem tudo por eles.

Nesse cenário a entrada da criança na creche ou pré-escola é fundamental para o desenvolvimento de todo o seu potencial. É necessário porém, ficar atento ao ambiente das instituição que o seu filho fará parte. E o mais importante a vocês responsáveis por uma criança pequena, A PROFESSORA QUE CUIDARÁ DA SUA CRIANÇA É SUA ALIADA. É essencial que a criança veja você conversando e estabelecendo vínculos emocionais positivos com a professora, inclusive quando você está a sós com a criança, ela deve ouvir e sentir de você, tudo o que for de bom com relação a professora e a escola, só assim, a criança por mais pequena que for irá permitir que a professora estabeleça uma relação de apego com ela, do contrário a criança se fecha e dificulta o trabalho da professora.

Não se prenda a preconceitos, se permita conhecer a professora do seu filho e a proposta pedagógica que ela usa em sala de aula. Você não vai se arrepender, além de obter muitas ideias de como estimular e prender a atenção da criançada, Quanto mais você apoiar e incentivar o trabalho da professora do seu filho, mais essa professora terá a oferecer pelo desenvolvimento dele. 

Eu tive o privilégio de conviver uma semana inteira com 30 educadoras infantis da rede pública de Santo André e posso falar por experiência o quão enriquecedor é o trabalho que elas realizam para o bom desenvolvimento de nossas crianças. Não tenha medo se o seu filho estará ou não em boas mãos, quando for para uma escola, mas vá e veja por conta própria o quanto de pessoas existem, que estudam e se dedicam a oferecer o que há de melhor às crianças na fase mais crucial do desenvolvimento humano, A Primeira Infância.

Mesmo depois de conhecer, se você achar que algo não está certo, não critique apenas, mas se ofereça para contribuir de alguma forma. Ou, então procure outro lugar, pois existe muita escola boa por ai, basta ter olhos e querer enxergar. Só não deixe seu filho crescer sem os estímulos adequados, pois a infância é um período que não tem volta.

Feliz Aniversário! Mensagem sobre Um Ano de Blog

Santo André, 06 de Julho de 2016

Há um ano eu estava dando os primeiros passos rumo a um movimento que logo me tomaria por completo. 

Este Blog começou de uma inquietação minha em relação a forma como as crianças são tratadas, sobretudo as menores de 6 anos, categoria conhecida como primeira infância. Por muitos anos foquei atenção especial aos relacionamentos e a forma como as dinâmicas familiares são concebidas, porém não demorou muito para eu enxergar certas incoerências. Por outro lado, demorou um pouco para eu entender que, embora pareçam culpados, os pais também foram vítimas quando crianças, gerando um ciclo doente e transmitido geração após geração, até que alguém consiga parar. 

A psicologia me ajudou a entender que esse padrão se repete pela forma como o aprendizado ocorre, através da construção do apego entre pais e filhos e suas consequências na vida adulta de cada indivíduo. Junto com a neurociência comprovando que o cérebro aprende, já durante a gravidez e quase em sua totalidade até os 6 primeiros anos de vida, atingindo 95% de seu desenvolvimento. Sendo esse o período fundamental para criar os caminhos que cada indivíduo e junto com eles toda a sociedade irão trilhar, sejam eles caminhos de guerra (como acorre a 10 mil anos) ou caminhos de paz, como já conseguiram alguns países que entenderam que o melhor investimento que uma nação pode fazer é o desenvolvimento da primeira infância.

A boa notícia é que existe muita coisa incrível acontecendo aqui mesmo em nossa região e nas demais ao redor do globo. Um verdadeiro e grande movimento em prol de uma infância mais feliz, plena, segura e estimulante, onde todos irão ganhar. Para isso, quanto mais ideias e pessoas surgirem, tão logo colheremos os frutos. O que me leva a acreditar que muitos círculos precisarão se abrir.

Um ano foi o tempo que me permitiu conhecer tantas coisas e ideias sobre o universo dos pequenos e como ajudá-los. Alguns exemplos são a pedagogia Waldorf e a Antroposofia que me fez questionar: por que eu nunca ouvi falar? E infelizmente pude perceber que a grande maioria também não. Existe também o método Montessoriano de pedagogia e a abordagem de Emmi Pikler para os cuidados com bebês e a formação de vínculo com os cuidadores. 

No que diz respeito a Instituições, existe a FEASA que atua em Santo André de forma tão excelente, através de capacitação a toda rede assistencial da cidade. O Instituto Alana, cuja missão é “honrar a criança” e tem feito isso através de uma série de projeto, entre eles o “Criança e Consumo”, que tornou ilegal a publicidade infantil (Resolução 163/2014 do Conanda). A produtora Maria Farinha Filmes, cujo filme “O começo da vida” já foi exibido na ONU. A Cátedra da PUC e a atenção a primeira Infância nos países Ibero-Americanos. E em especial o Instituto Zero a Seis, que age muitas vezes sem atrair os holofotes, com grande habilidade na arte do “fazer-se desnecessário”, capacitando os diversos setores da sociedade e seguindo sempre em frente, rumo a uma primeira infância saudável e plena. São lugares movidos por pessoas que acreditam em um mundo melhor e fazem acontecer.


Escolhi listar essas ações, para mensurar um pedaço daquilo que significou esse um ano de blog, onde muito conhecimento foi necessário para não mais que 32 textos serem escritos. O que não chega a 3 textos mensais, mas representa uma qualidade e preocupação da minha parte. Um dia eu espero chegar a um nível de conhecimento onde eu possa transpirar informações. Mas até lá sei que tenho um longo caminho pele frente, caminho de muita escuta, pesquisa, debates, leituras, observações e poucas páginas para fixar e transmitir o que aprendi. 

"A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces."(Aristóteles). Não é a toa que essa é a frase desse Blog.

Agradeço a todos os leitores. E quero finalizar com algumas reflexões que eu passei a fazer após esse ano:

- Quantas ideias morreram no papel por falta de investimento? Ou quantas ideias morrem junto com seus sonhadores? Em que ponto da evolução estaríamos se mais pessoas tivessem tido oportunidades lá atrás, além das poucas que a história aponta como vencedor?

- Está na hora de abrirmos o círculo. Abrir o círculo significa deixar que o novo entre. Usar sua rede de contatos e habilidades para acreditar em alguém que não pertence ao seu clubinho particular, por exemplo. E isso tem tudo a ver com educação infantil. 

- Ao mesmo tempo em que uma criança deixa de sonhar por pressões do mundo adulto, outras deixam de sonhar porque mataram para sobreviver, ou morreram de fome mesmo. Olha o que estamos perdendo. Pode parecer exagero, mas alguém nesse momento pode ter descoberto a equação para abrir um buraco de minhoca e conectar o universo, sem que nunca venha à tona, pois não acreditam nele ou no lugar de sua formação...

- Muita coisa está acontecendo para o bem comum de todos. Também é certo que muita coisa está se perdendo por falta de oportunidades, que inclui guerras, preconceitos entre outros. Vamos ficar dependendo da minoria que conseguiu resistir até o fim e venceu, ou vamos ajudar amenizar as dificuldades para que mais pessoas consigam contribuir para a nossa evolução?

Pais: vocês sabem administrar o tempo?

"Hoje não temos tempo, não é como antigamente"; "A vida é mais corrida na cidade grande, exige mais de nós"; "O eixo da terra mudou alguns centímetros e isso faz o tempo passar mais depressa"
São alguns exemplos banais, fácil de ouvir em qualquer roda de conversa.

Antigamente para preparar um alimento era necessário ir até a floresta, cortar a lenha, transportá-la, colocar no fogão, ascender e esperar a temperatura ideal e só depois iniciar o cozimento. Também não existia os equipamentos elétricos que tritura os alimentos, faz massas, congela e descongela. A roupa precisava ser lavada a mão e quando não, na beira de um rio longe de casa. As distâncias eram percorridas a pé, em sua maioria, por ruas e estradas mal pavimentados (essa parte ainda é realidade a muita gente Brasil afora). Mensagens demoravam dias e até meses para chegar, dependendo da distância. Notícias não eram automáticas e as relações com amigos e familiares, muitas vezes poucas, dependendo da distância.

Hoje é tudo mais simples, rápido e ainda assim não temos tempo. E o engraçado é que no passado, mesmo com todas as dificuldades, a impressão que da é que sobrava tempo...

Sem recorrer a frases prontas e finalizar dizendo que o tempo é relativo. Vale considerar alguns contextos. Antes as atribuições diárias giravam em torno do âmbito familiar ou proximidades, os filhos acompanhavam seus pais nos afazeres, não só trabalhando, mas observando seus pais e agindo segundo o que viam, as tarefas eram chamadas profissão de ofício e os filhos de tanto observar e realizar, acabavam seguindo esse ofício, muitas vezes. Os afazeres domésticos também seguiu essa linha por muitos séculos. E antes que alguém queira levar essa conversa às questões sexistas, quero parar por aqui e dizer que citei esses exemplos para mostrar como a relação entre pais e filhos eram mais próximas. Pois todo o relacionamento diário girava em torno da família e as crianças, embora trabalhavam muito e chegavam a não frequentar o colégio por muito tempo, elas cresciam e seguiam suas vidas, segundo o modelo que absorveram.

O que vemos ao olhar esses tempo antigos, é que os pais não precisavam de um tempo para os filhos, pois eles estavam com os filhos no dia a dia e isso, mesmo com tudo precário e politicamente incorreto aos nossos padrões modernos, tinha seu valor. Pois quem conversa com uma pessoa mais idosa, com certeza ouvirá ela dizer sobre como seus pais eram rígidos, mas ao mesmo tempo o quanto aprenderam com seus pais os valores que lhes foram úteis para uma vida toda.

Hoje os pais não têm tempo para os filhos, mesmo com todas praticidades da vida moderna. Pois a mesma modernidade que dá praticidade a seus habitantes, é a modernidade que exige dos pais e filhos, incontáveis horas longe da estrutura familiar. É a mesma modernidade também, que oferece incontáveis meios de diversão e entretenimento, o que distancia ainda mais as famílias, mesmo quando estão sob o mesmo teto. Como diz o Dr. Augusto Cury, "nunca a civilização teve tanto entretenimento  como hoje, também nunca na história da civilização se viu tanta gente deprimida como se vê atualmente".

Com isso aquela espécie de relação mestre-discípulo, que por milênios foi o único meio de aprendizagem entre as famílias, seja através dos pais, avós, anciãos ou os tutores, se perde. Mas na essência ela continua viva, pois nós seres humanos aprendemos dessa maneira, através do exemplo diário com nossos mestres. Por isso, pai e mãe: vocês precisam tomar o controle da situação, oferecendo tempo de qualidade e bons exemplos aos filhos. Vocês também precisam escolher com muita cautela a quem vocês delegam a tutela deles, isso inclui escola, parentes, babás, conteúdos da internet, games e televisão. Porque uma coisa é certa: seu filho irá se espelhar em alguém, ele precisará disso para crescer. Quem ou o que é o exemplo do seu filho? Você confia?

RITALINA – UMA PALMATÓRIA MODERNA

Na hora de falar sobre o que as crianças aprendem nas escolas hoje em dia... É praticamente revoltante, por assim dizer. É duro saber que eu, a minha esposa e você, caro leitor, já passamos por isso também. E infelizmente, o seu filho também está passando. (A menos que ele estude em uma dessas escolas com um modelo pedagógico diferente, tipo Waldorf, Montessoriano...)

Debatendo e estudando sobre o que aprendemos na escola convencional, fica claro que foi um grande desperdício de tempo, energia, além de sofrimentos e frustrações; pois ao tentar “aprender” (diga-se, decorar), a maioria de nós não conseguiu se encaixar ficou com a autoestima baixa por não conseguir e foi chamado de fracassado pela sociedade, seja de forma direta ou indireta - através de oportunidades medíocres para o resto da vida.

Há também aqueles que não conseguem ficar sentados por um longo período, se interessam por várias coisas ao mesmo tempo, querem que os escutem, adoram questionar e explorar outras possibilidades, mas... São taxados como: disléxicos, portadores de transtornos de conduta ou o famoso transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

Então começa o “empurra-empurra”, os pais sem tempo, empurraram os filhos para serem educados pela escola, a escola por sua vez devolve a responsabilidade aos pais e recomenda especialistas, como solução ao desempenho acadêmico e comportamental. Psiquiatras, Psicólogos, Neuropedadogos e afins, todos na tarefa de “corrigir o erro da criança”. Mas o erro está na criança ou no método de ensino que se mostra ineficiente e ultrapassado? Entretanto, ao culpabilizar a Educação e a Política (por trás disso ou até responsabilizar os pais) é mexer com gente grande.

Na impossibilidade de atingir os verdadeiros culpados, o que se viu na última década foi um aumento de mais de 700% no consumo de Ritalina, ou seja, as crianças estão pagando o pato. Elas são indefesas e estão nas mãos dos adultos. O resultado disso é uma infância silenciada, cujos sonhos e ideias transformadoras, que outrora nos tiraram das cavernas, estão sendo apagados quimicamente.

Antes, os pais batiam em seus filhos e deixavam muitos traumas físicos e psicológicos, para que eles se comportassem. Hoje a ritalina não deixa cicatrizes e aparentemente até melhora o comportamento e a cognição, mas os efeitos a médio e longo prazo dessa “palmatória moderna” tendem a ser muito mais devastadores do que a antiga.

VALE A PENA CONFERIR:

CUIDADO ESCOLA – Paulo Freire et al.
(Quem achar onde comprar me avisa)

Pais Brilhantes , Professores Fascinantes – Augusto Cury

A ritalina e os riscos de um 'genocídio do futuro' – UNICAMP

Sobre a Inquietude das Crianças Dentro um Mundo Insone – Angel Roman

Déficit de atenção é diagnosticado em excesso, diz pesquisa

Consumo de Ritalina no Brasil cresce 775% em dez anos


Choro e problemas escolares

De repente seu filho ou sua filha em idade escolar, entre 7 e 10 anos, está apresentando dificuldades na escola, não consegue fazer as lições de casa, vive chorando por qualquer coisa, fica isolada e está ganhando peso mais que o normal, em outro extremo, a criança pode estar bagunceira além da conta, mal criada e briguenta na escola. Saiba que esses podem ser sintomas que revelam mais do que um problema de cognição relacionado a aprendizagem ou alguma desordem social.

Um quadro assim deixa os pais preocupados. Os professores conversaram com você e você procurou um psicólogo, psicopedagogo, entre outros, porque não sabe o que fazer. Junto a tudo isso, em casa o relacionamento não vai bem e as brigas são frequentes, mesmo com a presença dos filhos.

Se você se identificou, é importante notar que, as dificuldades que as crianças apresentam nessa fase da infância, muitas vezes têm origens na convivência com os pais, mesmo os pais falando e falando com os filhos, ensinando-os o melhor caminho a seguir, ainda assim é na convivência que grande parte desses problemas acontece. Mas, também é na convivência com os pais que eles são resolvidos.

As crianças aprendem pelo exemplo e não pelas palavras. Elas também percebem praticamente todos os sentimentos que pairam na casa, isso significa que mesmo quando os pais tentam disfarçar a criança percebe e com esse exemplo ela aprende. E quando os pais não dialogam com essa criança, de forma direta e mostrando verdadeiramente que ela não tem culpa no assunto entre os pais, além de uma posterior mudança de atitude; essa criança, indefesa como é, se sentirá culpada pelo problema dos pais e assumirá alguns dos comportamentos citados no começo.

A vida em família não é fácil, mas pode se tornar cada vez mais simples, quando os adultos reconhecem seus erros perante os filhos, são verdadeiros quanto aos sentimentos, assumem posturas condizentes com os valores que querem passar aos filhos e se mostram capazes de evoluir, independente do nível de conquistas obtidas. Desse jeito, você estará educando seu filho pelas emoções, que é o jeito mais eficaz de educar um filho nessa faixa etária, como propõe o austríaco Rudolf Steiner, além de valorizar a espontaneidade e criatividade da criança, como defende o também austríaco Jacob Levy Moreno.

Agora já sabe, criança chorando por qualquer motivo e indo mal na escola, o problema pode não ser com ela, mas sim com o seu relacionamento que não está indo bem e ela percebe. Reverter esse quadro é uma forma dos pais mostrarem o quanto amam seus filhos e cuidam do bem estar deles.

Carolina

Eu já conheci muitos cozinheiros fantásticos sem ter diploma de gastronomia. Uma moradora solitária que decorou seu apartamento de modo incrível, mesmo sem ter diploma de decoradora de interiores. Um cidadão qual ninguém passa a perna, porque ele lê com frequência o código de defesa do consumidor - e nem diploma de direito ele tem.

Ah, aquelas crianças que pintam quadros inacreditáveis sem nunca terem tido uma aula de arte. Aquele músico que toca com um pouco mais de facilidade que os outros alunos. Aquela pessoa que leva jeito com criança sem nunca ter pisado num curso de pedagogia.

Algumas pessoas carregam experiências anteriores na alma. Isso as facilita na hora de se aperfeiçoarem para se tornar um profissional, sim. Porém algumas tem a oportunidade de se especializar.

Oportunidade, sim. Pois muitos querem, mas por inúmeros fatores não as têm. Nem sempre é falta de tentar, arriscar, lutar. Pessoas que amam o que fazem lutam diariamente para uma oportunidade de quem um dia já teve uma. Sei que ninguém cresce na vida sozinho, é por isso que as pessoas precisam uma das outras durante toda a vida.

Todos reclamamos da falta de humanidade nas burocracias do cotidiano, do dia-a-dia, da política. Mas será que não existem padrões dentro de nós mesmos? Sempre lembrando que a mudança que queremos ver no mundo - e no nosso país - está dentro de cada um.

Quantos pais de família e excelentes trabalhadores já não foram demitidos por causa das exigências burocráticas de "ordens superiores"? Sem tempo para cursar uma faculdade, acabam perdendo o emprego. Quantos estagiários inteligentíssimos não entraram naquela desejada vaga por causa de 1 semestre de exigência no perfil da vaga? Eu ficaria o dia todo fazendo listas sobre isso. Quem nunca passou por isso, conhece quem já passou. Ser bom no que faz e ser barrado por esteriótipos, nomes ou diplomas e perder o emprego é terrível. Mas, pior, é nem começar. Não conseguir uma única chance pelo mesmo motivo preconceituoso.

Companheiros de outras vidas se reconhecem e se identificam. Estamos todos andando por aí. Triste mesmo é quando alguns se cruzam, mas as "regras" criadas pelo homem imperfeito impregnam em nossa mente e interferem em grandes ideias. Muitas coisas incríveis já foram inventadas no mundo, mas o que mais me dá curiosidade, é pensar nas que nunca nasceram por falta de oportunidade.

Que possamos evoluir juntos. Todos precisam de ajuda: o mais novo e, aparente sem experiência, precisa do mais velho para ensiná-lo. Assim com o mais experiente precisa do mais novo para aprender com a energia e os novos pensamentos da gerações que precisam tanto serem cuidadas.

Que nesse ano, não desperdicemos tanto tempo em nossas vidas alimentando a dúvida e a insegurança. A dúvida não nos leva a nada de bom, enquanto ficamos agarrados a ela, perdemos tempo - e futuro. Ao invés de ficar agarrada numa dúvida que petrifica o seu presente para sempre, regue-a, cultive-a, cuide e deixe florir. Deixe crescer. Dê uma chance. Deixe seu presente virar futuro. Está em suas mãos.

Deixe seu filho aprender mais

Quando a criança está em seu primeiro ano de vida, tudo é novidade para ela, logo tudo é desafiador, difícil e uma oportunidade constante de aprendizado. Primeiro o movimento e o esforço na hora de nascer (em parto normal), depois para sugar o leite do peito e assim por diante. Porém os pais, querendo proteger seus filhos, estão sempre intervindos, ou mesmo oferecendo ferramentas para auxiliarem, como um andador por exemplo. Ao rolar pelo chão, tentar levantar e se esforçar para ficar de pé e poder dar os primeiros passos, mesmo depois de diversas tentativas frustradas, a criança está desenvolvendo a resiliência, ou seja, a capacidade para enfrentar e superar os desafios, habilidade tão importante para ser um adulto saudável no futuro. 

O esforço e a perseverança serão úteis para seu filho no futuro, do contrário, quando os adultos, frequentemente, ajudam as crianças pequenas a realizarem as tarefas do dia a dia, como pegar o objeto que estão tentando alcançar, dar a mamadeira ao invés do peito, oferecer comida sem casca ou muito amassada, um brinquedo eletrônico que faz tudo sozinho, entre outras coisas aparentemente inofensivas, inconscientemente há o enfraquecimento da força de vontade que elas carregarão para o resto da vida, além da falsa impressão de que tudo será fácil e disponível. 

Estudos mostram que as crianças, precisam enfrentar e superar certas dificuldades, assim como é essencial para elas receberem limites dos adultos. “O não que a criança recebe enquanto é pequena é o mesmo não que ela consegue dizer na adolescência, quando surgem os desafios do mundo” (Neube Brigagão). Ao enfrentar e lidar com qualquer situação que foge do seu controle e das suas vontades, a criança vai aprendendo que existe um mundo além de sí, criando uma noção de limites que ajudará a protegê-la e a proteger outras pessoas também. Do contrário, sem limites e crescendo com a noção de que tem tudo o que se quer, a criança fica birrenta e não hesita em ferir alguém para conseguir seu objetivo. O que podemos esperar de um adulto que foi uma criança assim?

A alimentação, desde a amamentação, já é uma exercício de força de vontade do seu filho. Pular essa etapa, como dar mamadeira porque ele não está sugando o suficiente, ao invés de investir tempo e paciência nesse processo, ou limitar a variedade de nutrientes, gostos e texturas dos alimentos sólidos, além de não estimular essa habilidade na criança, também estará afetando o bom desenvolvimento de seu sistema digestivo, da respiração e musculatura do rosto. Isso significa que, ao facilitar a alimentação da criança, é provável que ela desenvolva uma má formação dentária, respiratória e na articulação da fala, além de um possível problema com intestino preso. Cuidado!

Ah, para colocar os pingos nos "i's":

Ao tratar desse assunto é importante não confundir dificuldades do dia a dia da criança, como as mencionadas a cima, com situações relacionadas a situações de abuso e negligência por parte de seus cuidadores, pois isso as crianças precisam ser preservadas ao máximo. Também não levar a questão “limites” ao pé da letra e começar a dizer NÃO para tudo. A criança sempre precisa de equilíbrio e acima de tudo, segurança, autonomia e liberdade para se desenvolver ao máximo dentro de suas capacidades.

Planejamento emocional: você sabe o que é isso?

A marca de leite em pó mais cara, porque se diz a melhor. A fralda descartável ultramoderna. O brinquedo mais sensacional da loja. Um ovo de páscoa com brinde dentro. O melhor estudo. Os passeios mais incríveis. Mesada. A lista não para e os pais buscam isso para seus filhos com todas as forças. Não há nada de errado em se planejar para proporcionar essas coisas, mas... Será que todas essas 'coisas' garantem uma boa estrutura emocional para seu filho? 

Além de um plano financeiro, os pais precisam elaborar um plano emocional para seus filhos. Quanto mais saudável for a saúde emocional da criança, mais fácil será para ela ser um adulto bem sucedido nas mais diversas áreas da vida: pessoal, financeira, amorosa, social, saúde, familiar. E todo esse suporte emocional servirá para quando as dificuldades vierem, quando os convites perigosos aparecerem, ou inevitavelmente se ver em alguma situação de risco ou abuso, durante toda a sua vida.

Para conseguir esse suporte, a criança - desde o nascimento - precisa de um ambiente seguro onde haja muito incentivo, conversa, busca constante por aprendizado e coragem para assumir os erros e tentar corrigi-los, junto a uma boa dose de coerência e autoridade simultânea dos pais. Se, ao invés de um lar estável, a criança encontra brigas, autoritarismos, cobranças frequentes, ausência dos pais, ordens diferentes - um mais flexível e outro mais duro... Tudo isso deixa a criança abalada, fazendo com que ela sofra em uma ou várias áreas da sua vida. Sem contar que, diante dos perigos ou dificuldades, ela será muito mais vulnerável a entrar e com mais dificuldade para sair.

A vida é marcada por altos e baixos. Momentos de calmaria e tempestades é o que se espera para todo mundo. Com relação a isso, os pais precisam estar preparados para lidar com essas fases na vida de seus filhos sem perderem a cabeça: seja caindo em extrema angústia ou fazendo um inferno na vida dos filhos, transformando uma fase ruim e passageira, em algo pior ainda para a família como um todo. Agora, se por um lado os altos e baixos da vida são de certa forma inevitáveis, a intensidade desses períodos, ou a forma como eles serão administrados pelos filhos, é onde os pais possuem influências.

QUEM PEDIU A MINHA OPINIÃO?

Quando pensei em fazer um blog para falar de educação infantil para todos aqueles envolvidos com a educação de crianças, principalmente os pais, eu sabia que encontraria algumas resistências:
  • Essas coisas de psicólogo é para doido...
  • Todo mundo adora dar palpite na criação alheia!
  • Você por acaso tem filhos para saber do que está falando?
  • Eu sei cuidar do meu filho e não preciso que ninguém venha se entrometer nisso!
Mas desde a faculdade eu já sabia disso, pois sempre quis prestar algum tipo de cuidado para quem oferece cuidados a outras pessoas. Eu estava sempre chegando aos professores com meu projeto "cuidando dos cuidadores". De igual maneira, toda vez, era alertado por eles que seria uma tarefa muito difícil e de fato era, pois falar que quem cuida precisa receber cuidados é entendido como uma crítica e uma ameaça ao "cargo deles". 

Tal dificuldade não tirou de mim essa vontade de falar para aqueles que estão oferecendo cuidados por ai, na verdade decidi me focar mais e falar, principalmente para os pais. Mas não procuro falar na condição de quem sabe mais ou de quem é intrometido e adora se meter na vida alheia. Longe disso! Falo porque sei que é preciso. 

Quem mais conhece uma criança, realmente são os pais que estão com elas diariamente. Porém, infelizmente por outro lado, também são os pais quem podem mais prejudicar seus filhos sem perceber. Até porque, esses pais muito provavelmente também foram filhos prejudicados pelos seus pais e assim por diante, em um "ciclo sem fim". E é por isso que eu defendo que os pais precisam de cuidados. Foram feridos em sua criação e cresceram jurando que fariam tudo diferente com seus filhos - e o pior, não enxergam - mas, na verdade, mesmo fazendo diferente, ainda assim estão falhando com seus filhos. E não adianta ficar se culpando ou cobrando os filhos, chamando de ingratos e outros nomes. Do mesmo jeito que criticam quem palpita, geralmente são os primeiros que palpitam sobre qualquer assunto na vida alheia. Quem vê de fora, vê de forma neutra. Vê sem sentimentos, portanto, enxerga TUDO. 

Senhores pais, eu sei que que vocês não pediram a minha opinião, mas eu também sei que o filho que vocês tanto amam e fariam de tudo (financeira e fisicamente) por eles; precisam muito de cuidado profissional. Não, ainda não tive filhos. Mas estudei 5 anos para uma preparação. E além da parte financeira e física, seus filhos vão precisar que vocês façam de tudo emocionalmente por eles. E isso quer dizer que vocês, para oferecerem um bom suporte emocional para eles, precisam de duas coisas:
  1. Cuidar dos conflitos emocionais que vocês desenvolveram com seus pais.
  2. Entender que educar seus filhos exige preparação, assim como para ser um médico. Educar é uma profissão.
O blog está aqui para servir como um caminho nessa tarefa, façam bom proveito!

Pequenas atitudes: formando adultos saudáveis e livres

Olá mamãe, papai, vovó, vovô e todos aqueles que possuem a complexa tarefa de cuidar de uma criança pequena. Ela é linda e vocês estão cheios de amor por ela, bem como muito cuidado devido a sua fragilidade, mesmo para aquela que já completou alguns meses de vida...

Uma pediatra austríaca de nome Emmi Pikler, desenvolveu na Hungria um importante trabalho que se tornou referência mundial para todos aqueles envolvidos com educação de crianças. Os princípios de sua metodologia são: 1- Movimento Livre; 2- Brincadeiras Espontâneas; 3- Rotinas e Cuidados Privilegiados.

Falar sobre esses três princípios tornaria esse texto longo e, talvez, seu bebê não deixasse você ler a metade dele. Então falaremos, apenas, sobre o princípio número três.

Rotinas e Cuidados Privilegiados.

Os dois primeiros princípios tratam da importância de uma criança livre e autônoma em seu desenvolvimento, primeiro o psicomotor para depois, consequentemente, se tornar livre e madura emocionalmente.

“Enquanto aprende a contorcer o abdômen, rolar, rastejar, sentar, ficar de pé e andar, (o bebê) não apenas está aprendendo aqueles movimentos como também o seu modo de aprendizado. Ele aprende a superar dificuldades. Ele passa a conhecer a alegria e a satisfação derivadas desse sucesso, o resultado de sua paciência e persistência.” – Emmi Pikler

Esses princípios de liberdade e autonomia só são possíveis se a criança estabelecer um vínculo de respeito e confiança com o adulto responsável por ela, através de comportamentos específicos nos momentos de cuidados, alimentação e higiene. Seja em casa, na creche ou em uma instituição. 

Segundo essa pediatra, nesses momentos o cuidador precisa estar totalmente envolvido com a criança, tocando-a com cuidado, olhando-a em seus olhos e o mais importante, dialogando sempre com ela sobre cada movimento que irá executar. Sendo assim a criança se sentirá segura e respeitada, sentindo-se motivada a também interagir com o adulto ao decorrer do tempo, facilitando no andamento das tarefas, ao invés de ficar rígida, resistente, chorona e etc. Diálogos simples como, “agora vou tirar a sua blusa, você sentirá um pouco de frio, mas logo passa porque em seguida colocarei um novo casaco em você”;  “vou precisar que você levante os braços, mas te ajudarei com isso, tudo bem?”; “vou ver se tem algo em sua fralda, preciso abri-la, você me permite?”.

Resumidamente as atitudes recomendadas para você são:

- Nunca pegue uma criança inesperadamente em seus braços de forma que seja surpreendente para ela.
- Os movimentos nunca devem ser excessivamente precipitados.
- Ajude-o também com palavras para prepará-lo para o que vai acontecer.
- O bebê precisa ser ouvido quando o adulto está cuidando dele.

Com atenções básicas como estas e algumas outras, desenvolvidas ao longo de muitos anos de observações e práticas com crianças, Emmi Pikler se tornou uma referência e o instituto Pikler e Lóczy na Hungria, tem ajudado muitas crianças a se tornarem adultos saudáveis e livres, mesmo aquelas que perderam seus pais, foram abandonadas ou sofreram quaisquer outros tipos de traumas. Agora imagina o que elas poderão fazer pelo seu filho, que já vive junto da família em um ambiente de muito amor?

“Não podemos esquecer que são nos pequenos gestos do cotidiano que se traçam as bases do desenvolvimento futuro.” – Silvia Nabinger, 2010