Não tem como eu ver quem levantou a mão ou não, porém meu palpite é que provavelmente ninguém tenha levantado, até por que de fácil não tem nada. Mas também pode não ser um bicho de sete cabeças tão complicado assim, caso haja planejamento por parte dos pais e também alguns cuidados relacionados à primeira infância que eu quero falar um pouco hoje, nesse texto.
É comum ver os pais dizerem certas coisas e tomarem determinadas atitudes com seus filhos, ainda pequenos, que, acaba traumatizando e moldando um certo tipo de personalidade nos filhos que, entre outras coisas, irão distanciar e bloquear a relação de pai e filho no futuro. Esse bloqueio e essa distância, como já mencionados em outro momento, são os principais problemas que os pais enfrentam com seus filhos na adolescência, uma fase que por si só já é de introspecção e muitas mudanças no indivíduo, mas que se agrava ainda mais por conta desses problemas. Pior, faz com que os filhos abram mãos dos seus pais como referenciais, algo que contribui para aumentar ainda mais o fator de exposição ao risco, também típicos dessa fase.
Por isso quero compartilhar algumas frases que não devem ser ditas e atitudes que precisam ser evitadas, a fim de não enfraquecer o vínculo emocional com seus filhos, proporcionando uma relação mais próxima entre pais e filhos e consequentemente mais saudável e fácil para ambos. Vamos lá?
- Dizer que “a injeção não vai doer” é um erro comum e aparentemente inocente dos pais, mas que quebra a relação de confiança entre as partes. O melhor mesmo é dizer a verdade e aproveitar o momento para mostrar que acredita na capacidade e força do filho, levando-o a enxergar que é necessário para sua melhora e mesmo sendo algo doloroso você acredita que ele é capaz de passar por isso.
- O clássico “para de chorar”, inibie a expressão do sentimento da criança e quase sempre reforça estereótipos sexistas quando acompanhado de “homem não chora” , “mulher é frágil mesmo, mais sentimental” e etc. Já o famoso “esse machucado nem está doendo tanto assim” (ou situação semelhante), confunde a cabeça da criança que está sentindo a dor sim e essa ambiguidade pode ser tão profunda na cabeça e no corpo dessa criança que pode leva-la a desenvolver um quadro esquizofrênico. A criança precisa de liberdade para viver os sentimentos que lhe são apresentados. A segurança e o acolhimento proporcionados pela família nesse âmbito, levará a criança a não ter medo de encarar as situações da vida, enfrentar desafios, transpor obstáculos e o melhor de tudo, a ser honesta com ela mesma e com seus sentimentos.
Por fim, “a mamãe/papai está bem não se preocupe” (quando não se está nada bem), tão corriqueiros no dia a dia de uma família, deixa a criança insegura, gera conflito, medo e vergonha, o que a faz perder sua espontaneidade e criatividade, levando a uma apatia pelo sofrimento do outro. Se a criança foi capaz de perceber que algo está errado com você, um parente, um amigo ou a sociedade é porque ela está em perfeitas condições de ouvir você dizer a verdade para ela. Agir assim, além de ser verdadeiro é mostrar para a criança que você a enxerga de igual para igual, o que para ela é grandioso, traz para perto, faz com que se sinta importante, pois está podendo retribuir tudo aquilo que você fez e faz para ela de bom. Pais que reconhecem suas fraquezas para os filhos humanizam eles e reforçam o espirito altruísta que há dentro deles.
Como vimos algumas frases a não falar para os filhos, agora é hora de ver algumas atitudes que não devem ser cometidas na educação dos filhos:
- NÃO OS ESCUTAR, é a atitude mais passível de afastar as crianças dos pais, e quando falo ESCUTAR é escutar mesmo, prestando atenção e oferecendo a devida resposta para elas. É comum que ela irá falar e fazer muitas perguntas, mas é preciso atendê-las e em hipótese alguma fazer piada do tipo “fala mais que o homem da cobra” ; “fala igual uma matraca” e etc. Também é comum os pais não terem sempre tempo disponível para atender a toda essa demanda de perguntas e atenção, por isso não há problema dizer quando está ocupado, mas é preciso dizer de forma direta, com a verdade, olhando nos olhos da criança e em um tom tranquilo, assim ela entenderá e não haverá maiores problemas, o problema maior irá ocorrer caso nunca haja tempo para se dedicar aos filhos e seus questionamentos. Nunca ter tempo para atender as demandas dos filhos ou atender de maneira qualquer e demonstrando pouco caso é afastar a criança e depois o adolescente que virá.
- COMPARAR E ROTULAR é uma das atitudes mais destrutíveis que os pais podem tomar com relação a seus filhos. Compará-la com seus irmãos ou outras crianças, em detrimento da própria criança, mesmo que a intensão seja motivar a criança para que ela melhore, é uma atitude que abala profundamente o psicológico da criança que, não apenas causará ódio em relação aos pais, como também um sentimento interno de inferioridade que irá acompanhar e prejudicar essa criança para o resto da vida, se não tratar.
Falas simples, atitudes aparentemente bobas e com as melhores das intensões podem surtir grandes danos as emoções e até mesmo a saúde física das crianças. Esses prejuízos acompanham o indivíduo pelo resto da vida e afetará diretamente as relações que ele tiver, seja de trabalho, familiar, homem e mulher, entre outras. E o pior é que vai se repetindo de geração em geração. Sem contar o fato de estar tão impregnado em nosso meio, que tais comportamentos são tidos como normais e aposto que você leitor está julgando ser impossível não cometer tais coisas.
Isso é compreensível, mas não quer dizer que deva continuar, pois enquanto as pessoas continuarem encarando como normal e impossível de mudar, continuaremos vivendo em sociedades bagunçadas, sociedades onde ninguém respeita ninguém, pois não sabem como respeitar a si mesmos. Sociedade onde somos vítimas e réus ao mesmo tempo. Por isso é preciso mudar e para mudar faz necessário um começo, então que tal começar por essas dicas, hoje... Agora?


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