Violência infantil - Como lidar?

Violência doméstica ou intrafamiliar pode ser muito abrangente, porém a ideia é tratar apenas daquelas sofridas pela criança em seu seio familiar e sendo causada por qualquer ser que pertença a esta núcleo, mas o foco principal aqui serão os cuidadores primários, os que estão de fato com a criança, aqueles que assumem o papel de pai e o de mãe, independente do grau de parentesco ou sanguíneo. 

E por que os primários, já que os secundários (tios, avós, irmãos, amigos próximos) também podem abusar da criança? Primeiro por questão de tempo. Segundo, simplesmente porque é no cuidador primário que a criança deposita toda a sua energia e dependência. Lógico que, abuso é sempre abuso, independente de onde venha, porém, se a criança sofrer abuso de pessoas secundárias, mas em casa o ambiente for de informação, segurança e acolhimento por seus pais, ela se sentirá segura de relatar o que ocorreu, recebendo estrutura física e emocional adequadas para o sofrimento que passou, conseguindo assim superar o ocorrido.

O papel dos pais é de promoção do cuidado e atenção a todos os direitos da criança. Se ele for executado, como dito acima, a criança terá neles sua base segura para se abrir e mesmo que não venha se abrindo de início sobre um abuso, é fato que seu comportamento irá se modificar e os pais ao perceberem tais mudanças, se aproximando do filho irão conseguir que ele se abra (levando em consideração diferentes abordagens para diferentes idades). Por outro lado, a maioria dos pais não promove esse tipo necessário de estrutura. A falta de estrutura não permite que a criança sinta-se segura e acolhida o suficiente a ponto de se abrir e falar da violência que vem sofrendo, ainda mais porque é algo dolorido, constrangedor e que causa medo a ela, já que muitas vezes são coagidas de diferentes formas a não falarem, ou mesmo existe uma auto coação, principalmente quando envolve pessoas de um forte laço emocional para a criança e seus pais. 

A criança que não se sente segura para retratar de um abuso a seus pais será cada vez mais vitimada, não só pela situação de abuso atual, como também em diferentes outras situações ao longo de sua vida. Pior ainda quando ela é abusada e ao contar para seus pais sofre mais abuso ainda, por parte deles que não acreditam nela ou que a levam a permanecer calada e nada fazem para ajudá-la. Não acreditar na criança e não oferecer apoio diante do seu sofrimento, além de levar a criança a desenvolver os efeitos mais graves do Estresse Pós Traumática (TEPT), infelizmente também é o que motiva crianças e adolescentes a cometerem suicídio - acredite ou não.

Hoje foi abordada apenas a questão da violência infantil dentro da estrutura familiar, causada por terceiros e como os pais podem e devem agir com relação a isso, garantindo um desfecho adequado e que garanta a saúde física e emocional da criança. Por outro lado, os pais que oferecerem essa estrutura a seus filhos, irão protegê-los não só da violência intrafamiliar, como também dos casos de bullying sofridos na escola e qualquer outra situação de abuso que ela possa vir a sofrer. 

Esse tema, como foi dito no começo, é abrangente e cabem mais textos sobre o assunto. Então fiquem atentos ao blog, pois os próximos textos irão abordar mais essa questão da violência infantil e suas consequências no desenvolvimento da criança. 

Até a próxima!

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