Separação: não precisa ser tão ruim assim

Separação é um assunto tão atual e corriqueiro nos dias de hoje que se torna essencial abordar, quando o tema é educação de filhos.

Como já discutido em textos anteriores, o que é visível no mundo moderno são pessoas despreparadas para lidarem com seus filhos. E como costumo dizer, isso é complexo e envolve toda a sociedade que coloca desde cedo em nossas cabeças que ser bom pai e boa mãe é algo que acontecerá naturalmente quando o filho vier (no caso das mulheres) e (no caso dos homens), acontecerá da melhor forma possível à medida que se tiver um bom emprego e garantir a estrutura necessária para cuidar financeiramente da família.  Enfim, isso faz parte dos mitos da maternidade, mitos esse que gera um comodismo, com a sensação de que tudo irá se resolver quando acontecer e, depois que acontece e foge do idealizado gera tabus, medo, vergonha e muito descontrole emocional que, na maioria dos casos não permite aos pais buscarem ajuda para eles, que se sentem falhos e acham que reconhecer isso é mostrar ao mundo que são péssimos pais, o que é pregado como inaceitável pelas pessoas. Mas e quem paga o pato? São os filhos e futuros pais, gerando um ciclo vicioso...


Certo, isso é no caso da maternidade e tudo o que ela implica. Mas a reflexão que eu faço aqui é a seguinte: quando os pais estão juntos é difícil cuidar e educar os filhos da forma como eles realmente precisam para crescerem saudáveis, certo? E esses pais dificilmente procuram ajuda (PARA ELES, o psicólogo para os filhos é para os filhos e não conta). Como é isso o que geralmente acontece quando estão casados, então o que acontece quando esses pais se separam? Será que eles procuram orientação de um especialista para ajudá-los a entender tudo o que esse processo de separação irá implicar aos filhos e aprender a como lidar com ele, visando traumatizar o menos possível seus filhos? 

Infelizmente é bem provável que a resposta seja não, para a maioria dos lares brasileiros e por que não dizer no mundo. E quem mais perde com isso são as crianças, pois representam o elo mais fraco da sociedade, ficando sempre a mercê da falta de equilíbrio emocional do mundo adulto. 

Em muitos casos a separação nem sempre é amigável, mesmo quando parece, restando sim um monte de questões mal resolvidas entre o ex-casal e também com os demais membros do núcleo familiar de ambos, as ex-sogras(os), os ex-cunhados(as) e os demais ex, todos ganham fortes papéis nesse processo que deveria ser exclusivo do casal que está se separando e dos filhos, mas que não é, justamente devido as lacunas que não foram fechadas pelos dois, através de muito diálogo, compreensão e, quando preciso, intervenção especializada. E como existem lacunas, as pessoas de fora vêm para preencher esses espaços, pois é assim que funciona no universo; ele não deixa espaços vazios. E o resultado não costuma ser saudável para as partes envolvidas no divórcio, principalmente os filhos do casal.

Um relacionamento para começar e dar certo, precisa de muito investimento em comunicação e manutenção constante. Para isso os envolvidos precisam de disposição, paciência, coragem e muito autoconhecimento para que essa fase flua da melhor maneira possível e o casal construa as bases para desenvolver a relação que está por vir. Mas ok! Essas bases não foram tão forte assim, faltou investimento do casal nos itens essências do início de um relacionamento, ou por algum motivo, o começo foi bom, mas a relação se perdeu no meio do caminho e chegou a separação. Vamos pensar um pouco então?

Para o relacionamento dar certo foi preciso muito investimento inicial e manutenção constante. Mas, como houve algumas faltas ou no início ou no decorrer e ele não deu certo, a separação chegou e essa sim precisa dar certo. Principalmente quando se tem um filho envolvido. O casal se conhece e escolhe se irá ficar junto, assim como escolhe se irá se separar. Mas o filho que veio, fruto dessa relação, não escolheu para vir ao mundo, nem para ver os pais separados. E pode ter certeza, ele não quer que isso aconteça! Ele também não entende porque isso aconteceu e chega até se culpar. Quanto mais nova for a criança, mais forte e intenso esses conflitos serão, porém do mesmo jeito que vem eles vão, se os pais souberem lidar com isso.

Engana-se quem pensa que a separação precisa ser resolvida só entre o casal que decidiu se separar, os filhos precisam fazer parte desse diálogo também. Não confunda fazer parte com decisão. Os filhos não decidem, mas precisam fazer parte porque essa decisão que não compete a eles, irá afetá-los e muito.  Outra coisa que as crianças precisam desse momento é da união dos pais e isso será para sempre. Quando o casal possui filho(s) ele pode até se separar no âmbito físico e emocional, mas precisaram manter a união como pais. Os filhos não têm culpa da decisão que seus pais tomaram. As necessidades deles serão as mesmas, com ou sem separação.

Se como casal foi difícil manter um diálogo, abrir mão de egoísmos bobos e ter um autoconhecimento profundo sobre a sua pessoa e a que o seu parceiro é. Tenha em mente que agora, separados e com filhos, vocês precisarão levar esses itens bem mais a sério, pois foi a falta deles que, provavelmente levou o relacionamento ao fim e, certamente será a ausência deles no divórcio que irá prejudicar não mais o casamento (porque ele acabou), mas a relação com seus filhos e a vida deles. Isso não tem como fugir, então é preciso dar atenção agora. Lembrando que o que vocês fizeram com o relacionamento de vocês, partiu do consentimento de vocês, já tudo aquilo que irá afetar os filhos, não partiu da vontade e muito menos do consentimento deles, então não deverão pagar por isso.

Como pessoas, o ex-casal não precisa se entender, mas como pais precisarão sempre. O diálogo sobre os filhos precisa continuar e principalmente a coesão. Não dá para a criança ter restrição de refrigerante e guloseimas na casa do pai e tudo liberado na casa da mãe. Não dá para a mãe estabelecer horários para a criança estar na cama e chegar na casa do pai, a vó ou tia deixar ela dormir a hora que quiser. Isso são alguns dos exemplos mais comuns que a família enfrenta quando o assunto é separação e filhos. Mas a lista é bem mais ampla e profunda, implicando muitas perdas para a criança, caso isso não seja levado a sério.

Então, pensou em se separar e quer cuidar da saúde do seu filho, mandando-o a um psicólogo, ou irá manda-lo porque a escola ou amigos sugeriram. Não faça apenas isso, o resultado não será grandes coisas se vocês pais, não forem os dois procurarem ajuda também. Está na hora de parar de achar que a criança é quem irá precisar e começar a refletir sobre a sua vida e os rumos do seu relacionamento que está acabando, para ver que quem irá precisar passar em um psicólogo, primeiro de tudo, é você e o seu parceiro(a). Isso sim é mostrar que ama e se preocupa com os filhos. O resto é produto apresentado na televisão como sendo a verdadeira necessidade e prova de amor.

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