Hoje o assunto sobre violência infantil vai abordar a pior situação, que ocorre quando os pais agridem os filhos. Segundo a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) em 2013, 70% dos casos de violência contra crianças e adolescentes no Brasil aconteceram em residências, sendo que os pais e mães representam 53% desse total.
Os pais que eram para proteger não protegem, seja não acreditando no filho, seja deixando para lá os casos de abuso, ou, na maioria dos casos, são os próprios pais que agridem seus filhos. As agressões se manifestam em diferentes tipos: física, sexual, negligência e a psicológica.
Física: é qualquer tipo de violência que atinja o corpo da criança, deixando ou não hematomas.
Sexual: vai desde a realização do ato sexual do adulto com a criança, até a erotização precoce do menor,
Negligência: quando os pais deixam de atender as necessidades do filho, é o não provimento das necessidades físicas e emocionais da criança.
Psicológica: rejeitar, isolar, aterrorizar, ignorar e corromper a criança, são formas de agredi-la psicologicamente.
Vocês, principalmente se forem pais, devem se perguntar como é possível os próprios pais agredirem seus filhos? Ainda há aqueles que duvidam que isso seja possível ou os que concordam como sendo possível aos outros, mas dizem que jamais fariam isso. Se não fizerem, ótimo é isso mesmo que se espera como ideal, porém a prática mostra que a maioria dos pais abusam de seus filhos (53%), mas e onde você leitor se encaixa? Será que se encaixa?
Se formos nos guiar só pela definição básica dos tipos de violência que eu apresentei aqui, ou pela de qualquer outro tipo de consulta, é possível que realmente cada pai/mãe olhe e diga, “realmente eu não cometo nenhum tipo de violência contra meu filho”; “desse mal a minha família está livre”, mas quando analisado de forma mais profunda, abordando realmente as diversas manifestações que cada tipo de violência pode ter, então a mente se abre e podemos ver que muito mais do que 53% dos pais agridem seus filhos, seja da forma que for, em menor ou maior quantidade
VIOLÊNCIA FÍSICA é bater, chacoalhar, beliscar, mas também é não garantir as horas de sono suficiente e alimentação saudável, pois tudo isso trará problemas de saúde no corpo físico, então é uma forma de agressão física.
O ABUSO SEXUAL não tem a ver só com fazer sexo com a criança, obriga-la a masturbar o adulto ou coisas parecidas, mas expor uma criança ou até mesmo um adolescente a conteúdos sexuais, seja de forma explícita ou indireta, é uma forma de abuso sexual. E para isso acontecer não precisa ser o filme pornô propriamente dito, ou uma cena de nudez na televisão, mas a música que ele ouve, a dança que realiza, muitas vezes apresentadas e incentivadas pelos pais, também se encaixa perfeitamente. Outra forma que também é amplamente praticada pelos pais e se encaixa como abuso sexual, quando o filho é incentivado (e até pressionado) a ter relações sexuais o quanto antes e com o maior número de pessoas possíveis, ou quando a filha é castrada e obrigada a aceitar estereótipos machistas de proibição e submissão, por exemplo, ou de total liberalismo feminino de forma precoce e com total falta de informação. Tudo isso, por incrível que pareça, está relacionado a violência sexual, mas é tão presente em nossa sociedade que nem nos damos contas.
Quando o assunto é NEGLIGÊNCIA, logo pensamos que dando comida, casa e escola para os filhos, também atenção quando o levamos ao shopping escolher o presente de aniversário por exemplo, já é o suficiente para não sermos negligente com as crianças. Mas será mesmo?
Atender as necessidades da criança não tem a ver com ficar endividado para dar um tablet ou tênis de marca por exemplo, ou fazer o impossível para que seu filho possa comer um Mac Lanche feliz. Os pais tem se atentado ao supérfluo e isso tem sido é uma total negligência. A criança precisa sim de um sapato confortável para seus pés, mas não da marca X, ela precisa de diversão e cultura, mas um tablete não fornece isso de forma saudável à criança, o jeito certo é ela ler um livro, ir a uma exposição, brincar com qualquer coisa e até se sujar. Na hora da comida, não ter fast foods ou coisas industrializadas demais e sim comidas frescas e nutritivas. Não atender as necessidades básicas da criança é um ato de negligência, tendo em vista que a própria criança não consegue isso sozinha. De forma resumida necessidade básica é, inclusive, oferecer um ambiente calmo, acolhedor e seguro e principalmente uma estrutura familiar que ofereça limites e disciplina às crianças, pois a falta de limites também é negligência, também é uma forma de violência infantil.
No quesito AGRESSÃO PSICOLÓGICA há uma extensa lista daquilo que pode atingir e ferir seu filho psicologicamente. Muito além de qualquer classificação, aquela simples chantagem emocional que é comum os pais fazerem ao filho para ele não fazer algo, quando a mãe fala para a criança que irá morrer se ela não obedecer, DEUS ficará triste, zangado e etc; tudo isso agride emocional a criança, já que ela é extremamente vulnerável a seus pais. Falar que não queria que a criança nascesse, fazer questão que ela saiba o quanto sua vida era feliz e sem problemas antes do nascimento dela, ou então as terríveis comparações, mostrar como o filho de B é mais obediente ou o filho de C é mais inteligente; tudo isso faz com que a criança sofra emocionalmente e desenvolva até problemas psicológicos sérios, como a esquizofrenia quando os pais são incoerentes naquilo que dizem e fazem com a criança, por exemplo.
Qualquer tipo de agressão, mesmo que em intensidade mínima, irá acarretar algum problema ou vários problemas para a criança. E acompanhado a um tipo de agressão virá dois e até três tipos de violência. Exemplo, a negligência dos pais com a alimentação do filho, também é uma agressão física, porque pode levar o filho a ter obesidade, infarto, diabete, problemas intestinais, além da sua expectativa de vida diminuída em 17 até 25 anos, para o caso de lanches de fast foods em excesso. Esse problema de alimentação que começou com a negligência dos pais, evoluiu para um problema físico, que inclusive pode afetar a vida sexual futura dessa criança quando adulto, tanto pela aparência como pela própria parte física que pode ser prejudicada; e a junção de tudo isso leva a distúrbios psicológicos, como depressão profunda e anorexia nervosa por exemplo.
Usei só um exemplo para mostrar como a violência doméstica contra a criança é complexa e a envolve por completo. Na verdade é muito difícil a agressão envolver só um aspecto da vida da criança. E eu precisaria de um livro para abordar todos os exemplos que eu conheço. Mas o importante é você leitor ter entendido a complexidade desse tema e ver o quanto a falta de estrutura nos lares atinge a praticamente todas as famílias e é responsável pelos inúmeros problemas que enfrentamos em nossa sociedade, infelizmente. Também é importante você não sentir raiva dos seus pais, caso tenha se sentido agredido por eles e muito menos se sentir culpado, caso tenha notado o quanto você mesmo está agredindo seus filhos.
Tenha sempre em mente que, assim como o planeta é redondo e gira em torno do sol respeitando um ciclo, tudo isso que eu acabei de falar também gira em torno de um ciclo repetitivo e doentio que vem acompanhando as famílias a gerações. Não há culpados nessa história, somos todos vítimas. Mas, diferente do ciclo do planeta em torno do sol que é saudável e precisa continuar para a nossa sobrevivência na Terra, esse ciclo doentio que sua família antes de você já passou e você está passando, esse sim precisa terminar, do contrário ele continuará com seus filhos, netos e etc, até que alguém um dia diga CHEGUE e comece a mudar as atitudes e fazer diferente. Porém, como conhecimento é poder e a verdade liberta, hoje você já pode começar a mudar esse jogo. Procure ajuda, seja de um psicólogo, uma igreja, um grupo ou o lugar que você se sentir melhor. Qualquer atitude para quebrar esse ciclo conta e fará toda diferença, pode acreditar. Eu aposto nessa ideia. Aposte nela você também!


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