Pais: vocês sabem administrar o tempo?

"Hoje não temos tempo, não é como antigamente"; "A vida é mais corrida na cidade grande, exige mais de nós"; "O eixo da terra mudou alguns centímetros e isso faz o tempo passar mais depressa"
São alguns exemplos banais, fácil de ouvir em qualquer roda de conversa.

Antigamente para preparar um alimento era necessário ir até a floresta, cortar a lenha, transportá-la, colocar no fogão, ascender e esperar a temperatura ideal e só depois iniciar o cozimento. Também não existia os equipamentos elétricos que tritura os alimentos, faz massas, congela e descongela. A roupa precisava ser lavada a mão e quando não, na beira de um rio longe de casa. As distâncias eram percorridas a pé, em sua maioria, por ruas e estradas mal pavimentados (essa parte ainda é realidade a muita gente Brasil afora). Mensagens demoravam dias e até meses para chegar, dependendo da distância. Notícias não eram automáticas e as relações com amigos e familiares, muitas vezes poucas, dependendo da distância.

Hoje é tudo mais simples, rápido e ainda assim não temos tempo. E o engraçado é que no passado, mesmo com todas as dificuldades, a impressão que da é que sobrava tempo...

Sem recorrer a frases prontas e finalizar dizendo que o tempo é relativo. Vale considerar alguns contextos. Antes as atribuições diárias giravam em torno do âmbito familiar ou proximidades, os filhos acompanhavam seus pais nos afazeres, não só trabalhando, mas observando seus pais e agindo segundo o que viam, as tarefas eram chamadas profissão de ofício e os filhos de tanto observar e realizar, acabavam seguindo esse ofício, muitas vezes. Os afazeres domésticos também seguiu essa linha por muitos séculos. E antes que alguém queira levar essa conversa às questões sexistas, quero parar por aqui e dizer que citei esses exemplos para mostrar como a relação entre pais e filhos eram mais próximas. Pois todo o relacionamento diário girava em torno da família e as crianças, embora trabalhavam muito e chegavam a não frequentar o colégio por muito tempo, elas cresciam e seguiam suas vidas, segundo o modelo que absorveram.

O que vemos ao olhar esses tempo antigos, é que os pais não precisavam de um tempo para os filhos, pois eles estavam com os filhos no dia a dia e isso, mesmo com tudo precário e politicamente incorreto aos nossos padrões modernos, tinha seu valor. Pois quem conversa com uma pessoa mais idosa, com certeza ouvirá ela dizer sobre como seus pais eram rígidos, mas ao mesmo tempo o quanto aprenderam com seus pais os valores que lhes foram úteis para uma vida toda.

Hoje os pais não têm tempo para os filhos, mesmo com todas praticidades da vida moderna. Pois a mesma modernidade que dá praticidade a seus habitantes, é a modernidade que exige dos pais e filhos, incontáveis horas longe da estrutura familiar. É a mesma modernidade também, que oferece incontáveis meios de diversão e entretenimento, o que distancia ainda mais as famílias, mesmo quando estão sob o mesmo teto. Como diz o Dr. Augusto Cury, "nunca a civilização teve tanto entretenimento  como hoje, também nunca na história da civilização se viu tanta gente deprimida como se vê atualmente".

Com isso aquela espécie de relação mestre-discípulo, que por milênios foi o único meio de aprendizagem entre as famílias, seja através dos pais, avós, anciãos ou os tutores, se perde. Mas na essência ela continua viva, pois nós seres humanos aprendemos dessa maneira, através do exemplo diário com nossos mestres. Por isso, pai e mãe: vocês precisam tomar o controle da situação, oferecendo tempo de qualidade e bons exemplos aos filhos. Vocês também precisam escolher com muita cautela a quem vocês delegam a tutela deles, isso inclui escola, parentes, babás, conteúdos da internet, games e televisão. Porque uma coisa é certa: seu filho irá se espelhar em alguém, ele precisará disso para crescer. Quem ou o que é o exemplo do seu filho? Você confia?

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