Quando a criança está em seu primeiro ano de vida, tudo é novidade para ela, logo tudo é desafiador, difícil e uma oportunidade constante de aprendizado. Primeiro o movimento e o esforço na hora de nascer (em parto normal), depois para sugar o leite do peito e assim por diante. Porém os pais, querendo proteger seus filhos, estão sempre intervindos, ou mesmo oferecendo ferramentas para auxiliarem, como um andador por exemplo. Ao rolar pelo chão, tentar levantar e se esforçar para ficar de pé e poder dar os primeiros passos, mesmo depois de diversas tentativas frustradas, a criança está desenvolvendo a resiliência, ou seja, a capacidade para enfrentar e superar os desafios, habilidade tão importante para ser um adulto saudável no futuro.
O esforço e a perseverança serão úteis para seu filho no futuro, do contrário, quando os adultos, frequentemente, ajudam as crianças pequenas a realizarem as tarefas do dia a dia, como pegar o objeto que estão tentando alcançar, dar a mamadeira ao invés do peito, oferecer comida sem casca ou muito amassada, um brinquedo eletrônico que faz tudo sozinho, entre outras coisas aparentemente inofensivas, inconscientemente há o enfraquecimento da força de vontade que elas carregarão para o resto da vida, além da falsa impressão de que tudo será fácil e disponível.
Estudos mostram que as crianças, precisam enfrentar e superar certas dificuldades, assim como é essencial para elas receberem limites dos adultos. “O não que a criança recebe enquanto é pequena é o mesmo não que ela consegue dizer na adolescência, quando surgem os desafios do mundo” (Neube Brigagão). Ao enfrentar e lidar com qualquer situação que foge do seu controle e das suas vontades, a criança vai aprendendo que existe um mundo além de sí, criando uma noção de limites que ajudará a protegê-la e a proteger outras pessoas também. Do contrário, sem limites e crescendo com a noção de que tem tudo o que se quer, a criança fica birrenta e não hesita em ferir alguém para conseguir seu objetivo. O que podemos esperar de um adulto que foi uma criança assim?
A alimentação, desde a amamentação, já é uma exercício de força de vontade do seu filho. Pular essa etapa, como dar mamadeira porque ele não está sugando o suficiente, ao invés de investir tempo e paciência nesse processo, ou limitar a variedade de nutrientes, gostos e texturas dos alimentos sólidos, além de não estimular essa habilidade na criança, também estará afetando o bom desenvolvimento de seu sistema digestivo, da respiração e musculatura do rosto. Isso significa que, ao facilitar a alimentação da criança, é provável que ela desenvolva uma má formação dentária, respiratória e na articulação da fala, além de um possível problema com intestino preso. Cuidado!
Ah, para colocar os pingos nos "i's":
Ao tratar desse assunto é importante não confundir dificuldades do dia a dia da criança, como as mencionadas a cima, com situações relacionadas a situações de abuso e negligência por parte de seus cuidadores, pois isso as crianças precisam ser preservadas ao máximo. Também não levar a questão “limites” ao pé da letra e começar a dizer NÃO para tudo. A criança sempre precisa de equilíbrio e acima de tudo, segurança, autonomia e liberdade para se desenvolver ao máximo dentro de suas capacidades.

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