Na primeira fase de vida, que vai dos 0 aos 7 anos, a criança é um ser totalmente aberto a explorar o mundo pelos 5 sentidos do seu corpo. É nessa fase que ela irá adquirir a noção de indivíduo, um ser que perdeu a ligação indiferenciada com a mãe e passa a entender que ele existe por si só.
Com isso vem o trabalho do cérebro criando as primeiras impressões (conexões neurais) sobre qualquer tipo de informação ao redor desse indivíduo. Como diz no ditado, que a primeira impressão é a que fica, é fácil notar a importância dessa fase para a vida toda de qualquer pessoa.
Então a maior responsabilidade dos pais nessa fase da criança, é mostrar a ela que o mundo é bom, e pronto! Por outro lado, infelizmente, é nessa fase onde vemos os maiores absurdos acontecerem em termos de educação. Os adultos adoram dizer não para esses pequenos, assim como, aparentemente, se divertem ao colocar os mais diversos medos neles, sem contar os tapas (nas mãos, nádegas e até boca) e o quanto irritam as crianças com brigas no ambiente, além de gritaria e descontrole emocional direcionados a elas.
É preciso falar também da abertura dessas crianças nesses primeiros anos de vida, a uma alimentação ruim e perigosa, pois a maioria dos produtos industrializados de hoje não fazem bem e ainda levam a obesidade, aumento do colesterol e para não se estender muito, causam dependência, tal como a cocaína ou o crack, pois a área atingida no cérebro pelas guloseimas é a mesma das drogas, que proporciona o prazer pela ingestão do mesmo.
É loucura pensar em um mundo onde os pais celebrem a primeira carreira de cocaína cheirada pelos seus filhos de um, dois ou três anos de idade. Mas por que vemos tantos pais comemorando a primeira coca-cola dos filhos e o primeiro Mc lanche feliz da vida deles?
"Nossa que exagero!" Mas digo que não é, pois se você entendesse que seu filho tem um cérebro novinho em folha, cheio de conexões neurais que são os caminhos usados por todos nós para acessarmos lembranças em nossa memória, de forma consciente ou não, no intuito de facilitar a tomada de decisão em determinada situação, seja na hora de escolher o que comer, comprar, vestir e até mesmo com quem se casar ou não. Se as pessoas entendessem a complexidade disso para a vida humana, junto com as chances de vício que determinados tipos de alimentos e bebidas possuem, saberiam que a minha afirmação acima não foi um exagero.
Enfim, cada vez mais as crianças estão rejeitando o que é saudável em troca do que é mais legal e aparece mais nas mídias e quem precisa cuidar disso são os pais. Não adianta brigar com o filho adolescente por ele comer mal, se você deu salgadinho, salsicha, lanche feliz e coca cola para ele nos primeiros anos de vida só para ele parar de fazer birra, ao invés de incentivar o consumo de alimentos saudáveis e abolir o que não era saudável ou fazer deles a exceção e não vice e versa. Como competir se a luta é desleal e a maioria dos industrializados e fast foods possuem quantidades enormes de elementos químicos que podem levar a dependência, sobretudo de um cérebro ainda em formação?
Os pequenos de hoje também brincam menos em ambientes abertos e mais com tecnologias. Como explorar o mundo desse jeito? Sem contar com o uso da televisão e todo seu conteúdo apelativo, erótico e sensacionalista, que magicamente acalma as mentes inquietas deles, trazendo alívio aos pais, mas que por outro lado tira mais uma oportunidade de sentir o mundo a sua volta e o que nele há de bom, como por exemplo outras manifestações artísticas.
Os pais estão cada vez menos presentes e famílias estão cada vez mais desestruturadas. Eu não disse casais separados, pois pode haver pais separados com estruturas familiares melhores do que os não separados, o que se aplica a casais homoafetivos, e etc. Mas como experimentar um mundo bom se a qualidade das estruturas básicas que a criança está inserida, está cada vez mais em ruínas?
Uma criança que cresce aprendendo a ter medo de tudo, por exemplo, terá medo de tomar iniciativas quando a vida exigir. Se tiver um ambiente instável dentro de casa, ela tende a ser instável nas suas relações também. E caso ela não aprenda a comer direito, será muito mais muito difícil adquirir hábitos saudáveis quando crescer. Enfim, se ela não aprender que o mundo é bom nos 7 primeiros anos de vida, as chances de ela ir se tornando um ser humano complicado são grandes e será cada vez mais difícil aos pais criá-la.

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