Não posso bater. E agora?

“Estatuto da criança e do adolescente”,  “Lei da palmada”. Quando esses termos são mencionados, logo se forma dois times: de um lado psicólogos e educadores e do outro os pais. Alguns, divididos - hora acreditam que essas medidas são necessárias, hora criticam quem as criou. Mas a verdade é uma só: os pais sentem que a educação de dentro da própria casa está sendo invadida.

A lei da palmada deu o poder na mão de quem ainda não está pronto para mandar. A criança chega a ameaçar os pais caso apanhe, dizendo que irá denunciá-los. A lei veio e interveio. Mas e agora? O veto à palmada veio, mas o governo não deu uma válvula de escape, muito menos orientou os pais sobre o que fazer no ápice de uma birra.

É verdade que o filho quando apanha dos pais não criará respeito por eles, e sim, medo. E quando a única vantagem de um pai para um filho é o físico, assim que esse filho crescer e ganhar força, nada mais vai impedi-lo de fazer o que ele quiser, inclusive de repetir com seus filhos o mesmo modelo de "educação" que recebeu, ou um modelo totalmente ausente de intervenção, para que seus filhos não passem o que ele passou. E é nesse cenário onde a desordem das famílias começam.

A lei que era para curar algumas feridas históricas curou, porém abriu muitas outras. A mensagem que chegou e está atualmente no imaginário popular é que essas leis trouxeram apenas direitos às crianças e adolescentes e punições para o mundo adulto que não obedecer.

“Com grandes poderes vem grandes responsabilidades” seria uma frase que se aplica a esse caso? Será que muito do caos que vemos em nossa sociedade se tratando de educação familiar não tem relação em algum momento a todo esse 'poder' que as crianças receberam - e sem terem estrutura para arcar com as responsabilidades. Afinal, se um menor de idade não está desenvolvido o suficiente para arcar com consequências da forma qual um adulto está, ele também não está desenvolvido para arcar com tanto poder e suas responsabilidades. Ou seja? Crianças e adolescentes não estão preparados para tanto poder.

A lei e o estatuto deixam muito a desejar, pois criaram uma lei para o bem, mas a mesma foi inserida na sociedade de forma errada! Tiraram a única autoridade que muitos pais conheciam, mas não colocaram nada no lugar. É necessário existir um estatuto que vai garantir aos pais o direito a um treinamento para que eles possam educar seus filhos sem palmada e sem colocar traumas que empacam o desenvolvimento de personalidades tão imaturas.

Enquanto as leis não forem criadas e aplicadas da maneira correta, sobretudo no que diz respeito às famílias, veremos muito mais educadores despreparados e crianças crescendo sem estrutura moral e emocional.

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